Escrevi na última coluna sobre como eram as eleições há 25 anos com o voto impresso. Nesta edição vou continuar na esteira do voto de papel, só que na época dos coronéis do norte/nordeste, lá pelos anos 70. Manipular eleições nos cantões do Brasil pelos coronéis era corriqueiro.

Geralmente o local de votação era numa escolinha primária. Os candidatos eram apenas dois. Um da oposição que defendia os mais humildes e o candidato do coronel que defendia os privilégios e a continuidade no poder municipal. A eleição era um teatro. Era só para o coronel dizer que era democrático.

Na noite, antes da eleição, um jagunço do coronel subia no forro da escola e fazia um furo de aproximadamente 1 cm de diâmetro bem em cima, onde ia ser colocada a urna. Naquela noite o jagunço dormia no forro, e junto levava uma garrafa de cachaça e um saco de talco. No dia seguinte, quando iniciava a votação, o jagunço olhava pelo furo em quem os eleitores votavam. Os que não votavam no candidato do coronel ele jogava uma pitada de talco nas costas do eleitor, que não era vista por quem estava na sala. Quando o eleitor saía na rua o “pau comia”.



POBRE DE DIREITA

Existe algo mais contraditório do que pobre de direita? Os ricos e até a classe média alta (recalcada por não ser rica), justificaria serem conservadores para manter o status quo. Mas pobre de direita e eleitor do Bolsonaro, que é o representante da elite brasileira, que oprime e explora ele e todos os brasileiros, aí nem Freud explica.

Um dia desses vi um chevette caindo aos pedaços, ao lado de uma camionete Hylux numa sinaleira, e ambos com adesivo do milico escroto.



A falta de CONSCIÊNCIA DE CLASSE é que determina o pensamento e comportamento desses pobres ignorantes que não percebem que eles são apenas instrumentos de exploração para enriquecimento da classe dominante. Eles não conseguem ver o abismo que separa o mundo miserável em que vivem, do mundo burguês que os escraviza.

Vou dar um exemplo bem cotidiano de inconsciência de classe. Em Erechim, região onde moro tem o super mercado MASTER e o ECONÔMICO. Os dois são da mesma rede. Respectivamente, um padrão Zaffari para atender os bacanas da cidade e o outro para o povo chinelão, onde os produtos são mais baratos e sem a qualidade e as opções do Master.

No Econômico não tem picanha para vender, mas tem pé de galinha.

No Master você vai encontrar no estacionamento aquele caminhonetão Hilux com o adesivo do milico. Já o Chevetão você sabe em qual super ele vai estacionar.

Ao mesmo tempo em que tenho pena destas pessoas, pois a maioria são uns ignorantes (muitos evangélicos), que não conseguem ver o óbvio, que rico vota sempre em candidato que defende rico, mas pobre nem sempre vota em candidato que defende pobre.



O GALO MISSIONEIRO

A maior injustiça política que os gaúchos já cometeram em eleições foi não eleger Olívio Dutra para o Senado em 2014.

Fizeram pior, elegeram aquela bisca ruim do Lasier Martins. Um medíocre reacionário, bolsonarista, que enganou a gauchada durante anos na RBS/TV posando de sério. Aliás, vocês já perceberam como a RBS cria cobras. É um ninho de serpentes peçonhentas.



Lembram da Maria do Carmo do Jornal do Almoço? A Ana Amélia que sumiu depois que foi eleita senadora?

Agora os gaúchos têm a chance de se redimirem da ingratidão que cometeram na eleição de 2014. Olívio vai ser o nosso senador no Congresso Nacional. Olívio transcende as ideologias. Conheço muita gente que vai votar no Bolsonaro para presidente e no Galo Missioneiro para Senador. O vice presidente, (o papa Viagra), General Mourão, pode ir botando as barbas de molho. O escroto do Lasier Martins já arregou de enfrentar o Galo Cinza.


O DAY AFTER DO MILICO

A pergunta que está no ar é: como vai ser o dia seguinte do milico se ele perder a eleição.

Ele vai ter 3 meses para planejar sua fuga do País, pois depois de 31 de dezembro ele vai perder o foro privilegiado e será apenas um capitãozinho, um reles milico. O Centrão com certeza vai virar as costas para ele, assim como as Forças Armadas. Se ele resolver não fugir, já disse que não vai ser preso, vai resistir a bala sua prisão.

Ele pode cometer o suicídio mas aí o seu gado fanático vai chamá-lo de covarde. É por isso que ele anda muito nervoso. Se por acaso ele resolver fugir, será que a Michele vai com ele? Acho que não. Como diz a música do Chico Buarque, vão aparecer “mil homens sempre tão gentis”.



MOURÃO “O RENEGADO”

Essa milicada não tem mesmo vergonha na cara. Vejam esta do vice presidente, general Hamilon Mourão.

Na eleição de 2018 ele se declarou indígena para a justiça eleitoral. Agora, como candidato a senador, em 2022, ele declarou que é branco. Bom para os indígenas não terem esta bisca como coirmão. Além disso, o novo ariano aumentou o seu patrimônio em 176% em 4 anos.

O ex índio não gosta de só de espelho, gosta também de Money. Em 2026, provavelmente vai ser brother.

Hélio Ortiz é professor, produtor cultural, e foi Secretário Municipal da Cultura e Esporte de Viamão durante os governos do PT.