Bolsonaro é o presidente com a maior rejeição do Universo. Lula, associado a todo tipo de escândalos, também é complicado de engolir.

Eis aí, resumida, a visão preponderante nos meios que apostam em uma Terceira Via.

Tudo bem, ok, as intenções de votos dos dois principais candidatos somam uns 75% do eleitorado, deixando pouquíssima margem para a penca de nomes apresentados como alternativa.

“Ainda resta tempo. Muitas águas passarão debaixo da ponte. Quando vierem os debates, vamos desmontá-los lembrando suas contradições”, apostam os “Terceira-Viers”.

Lulistas e bolsonaristas dão risada.

Na corrida, temos o tal do Janones, do Avante. Temos os tucanos, que botaram João Dória mas podem acabar ainda com Eduardo Leite. Todos conversando, atualmente, sobre a formação de um “frentão” com o MDB.

O MDB, por sua vez, botou na mesa o nome da senadora Simonte Tebet, que tem tudo para repetir o último “fenômeno” emedebista, Henrique Meirelles. Vocês lembram dele? Lembram quando, na apuração, descobrimos que o “maior partido do Brasil” na época ficou atrás do Cabo Daciolo?

Se eu pudesse reunir toda essa gente em uma sala, eu diria o seguinte:

Vocês estão empurrando essa ideia há semanas. O eleitor que vocês querem pra vocês não existe.

Esqueçam essa ideia de uma candidatura cheirosinha, isentona.

Veja bem:

Tebet tem 2%, Janones 3%, Dória/Leite outros 3%. Juntando tudo, não chega a um décimo da votação. Chamem o Eymael, que tem 1%.

Botem todos em uma van e vão falar com o Ciro. Ele é a única Terceira Via minimamente possível.

Somando todos aí, temos uns 15% das intenções de voto. Não é grande coisa, mas já é melhor do que nada. Dá para começar a corrida.

Depois, com a vantagem do tempo de TV e da enorme capilaridade dos partidos envolvidos, pode-se comer pelas beiradas e, quem sabe, chegar a um segundo turno no qual, convenhamos, as chances tornam-se bem mais animadoras.

Escritor, jornalista, videomaker e servidor público. Autor de "Política para Iniciantes" de outros livros. Às vezes, assusta as pessoas por falar o que pensa. É o profeta que uma geração alienada pelo TikTok precisava. Ainda será Presidente do Brasil (ou não).