Wilson Roberto, do Cinegnose, faz uma interessante análise do que ele aponta como um esforço midiático e institucional de construção do candidato Sérgio Moro.

Vale a pena analisar a tese defendida por ele, e fazer algumas conjecturas em cima disso.


A conspiração no MPF

O Ministério Público Federal (MPF) pediu o arquivamento da acusação contra Lula no caso do Triplex. Este fato foi amplamente noticiado pela grande mídia. Wilson enxerga nisso uma manobra.

Se o julgamento desta ação fosse até o final, Lula talvez provasse sua inocência. Com a acusação arquivada por prescrição, fica sempre aquela impressão de que ele PODERIA ser culpado, mas “se safou” por conta da idade, da morosidade do Judiciário, de “artimanhas” do Direito brasileiro.


Moro entra na jogada

Sem demora, Sérgio Moro postou nas redes sociais o seguinte:

“Manobras jurídicas enterraram de vez o caso do Triplex de Lula, acusado na Lava Jato. Crimes de corrupção deveriam ser imprescritíveis, pois o dano causado à sociedade, que morre por falta de saúde adequada, que não avança na educação, jamais poderá ser reparado.”

Moro não fala, por exemplo, sobre economia. Mas fala sobre corrupção.

A única pauta possível

Seria muito difícil para o ex-juiz fazer votos junto ao povão apresentando sua visão econômica – Moro é identificado com o liberalismo. Pregar austeridade fiscal, “Estado mínimo” e outras ideias do tipo não ganha a massa.

Ele tem a simpatia de alguns grupos que simpatizam também com Bolsonaro: a turma das igrejas, os ruralistas, etc. E por isso mesmo, precisa de uma marca própria.

A solução seria puxar tudo para um discurso sobre corrupção: a saúde está ruim porque há corrupção, falta dinheiro para a educação porque ele é roubado – corrupção, corrupção, corrupção.


Os números

O PIB brasileiro está perto do 1,3 trilhão anual. Metade disso é gasto com rolagem de dívidas e o resto vai para a manutenção de serviços. Sobram uns 200 bilhões para o governo aplicar e metade disso vai para compras públicas.

O desperdício possível é de R$ 70 bilhões anuais – um valor alto, mas que representa 5% do PIB. Digamos que metade disso vá para a corrupção: seriam 2,5%.

Os adversários

Moro entra no páreo cercado pelos dois lados. E poderá atacar seus adversários com discursos que, na verdade, já nasceram prontos.

À esquerda, tem Lula. Fala-se agora em uma chapa com Lula e Alckmin – dois alvos fáceis para o ex-juiz: um “ex-condenado, foi até preso” e outro “ex-indiciado pela Lava Jato”.

À direita, tem Bolsonaro – que será, claro, acusado de estar à esquerda porque se uniu ao Centrão. Portanto, um “traidor da direita”.


O cenário está praticamente armado

As cartas estão sendo postas à mesa e Moro é o curinga nesse jogo. Ele tentará, sim, pegar votos de Lula, Ciro e de outros concorrentes – mas o eleitor que PODE votar em Moro não está na esquerda.

Seu adversário principal é o presidente Bolsonaro: é com ele que o ex-juiz divide os votos do eleitorado conservador. É com ele que precisa disputar por uma das vagas do segundo turno.

Jornalista, assessor de imprensa, colunista de uma penca de jornais ao longo dos anos. Servidor público federal. Youtuber. Ativista #Redpill e historiador "freestyle". Autor de "Política para Iniciantes" e de outros livros. Site: www.fabiosalvador.com.br

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