Geraldo Alckmin pode ser o vice perfeito para Lula, em sua corrida presidencial. Daria à chapa do ex-presidente um aspecto de coalizão das forças democráticas contra as forças caracterizadas como reacionárias, retrógradas, etc.

Além disso, como bem apontou um colunista de O Globo há alguns dias, “o tucano é um político conservador e afável à elite econômica. Sua adesão complicaria a vida de quem insiste em descrever Lula como um radical”.


A leitura dos bolsonaristas

Para o bolsonarista “hardcore”, a aliança entre o tucano (embora não esteja mais filiado ao PSDB) Alckmin e o “comunista” Lula parece provar a velha tese do guru Olavo de Carvalho.

Essa tese diz que existem os socialistas radicais, declarados, e os “socialistas fabianos”, disfarçados sob o manto do neoliberalismo. E que os dois grupos apresentam-se como adversários apenas para enganar o povo fazendo-o achar que tem poder de escolha enquanto permanece, na verdade, prisioneiro de uma grande conspiração gramsciana.

Lula-Alckmin seria, portanto, a chapa escancarada do Foro de São Paulo.


A leitura dos petistas

As únicas pessoas no mundo que parecem indignadas e surpresas com a possibilidade de Lula e Alckmin caminharem juntos são os petistas.

O petista mediano se vê como alguém “de esquerda” – quase um Che Guevara pós-moderno – bem diferente do ex-governador “neoliberal de direita”.

O caso é que Lula como presidente e o PT no Congresso, apesar de serem chamados de “comunistas” e de às vezes fazerem alguns discursos mais inflamados, na verdade agem como uma centro-esquerda extremamente moderada.

Alguns até fazem uma defesa radical de pautas identitárias e de outras perfumarias mas, na hora de encarar as grandes questões – economia, por exemplo – o PT é mais próximo de Alckmin ou de Dória do que da autoimagem de “bolcheviques tupiniquins” cultivada por parte de sua militância.

Escritor, jornalista, videomaker e servidor público. Autor de "Política para Iniciantes" de outros livros. Às vezes, assusta as pessoas por falar o que pensa. É o profeta que uma geração alienada pelo TikTok precisava. Ainda será Presidente do Brasil (ou não).