Luciano Hang foi à CPI da Covid – foi com suas plaquinhas, seu terno verde e sua disposição para transformar a coisa toda em mais um de seus vídeos de humor.

Renan Calheiros e sua turma o receberam, com a previsível indignação.

“Será que o Véio da Havan achou que convenceria os brasileiros a aderir a suas ideias e posições, usando do palanque da CPI?”, perguntam os inocentes.

E eu digo: não, ele não pretende converter ninguém. Assim como Bolsonaro não pretende converter o apoio de ninguém quando faz seus folclóricos discursos.

Eles já têm um público cativo que adora vê-los debochando do sistema, do parlamento, do Supremo. Que aplaude justamente as peripécias e palhaçadas mais disparatadas.

Os caras são youtubers, são influencers!

São aqueles adolescentes dançando no TikTok!

Luciano Hang, com suas plaquinhas, irrita muita gente – mas é gente que jamais “se inscreveria em seu canal” (para usarmos uma linguagem de Youtube). Gente que jamais clicaria no “joinha” para apoiá-lo. Por outro lado, ele amealha “likes” e mais “likes” de quem já era seu seguidor. Faz todo sentido!


Lula sabe disso

Os petistas de hoje têm um discurso bem mais à esquerda do que os petistas das últimas duas décadas. E a lógica por trás disso é exatamente a mesma que impulsiona os voos do homem do terno verde.

Acontece que Lula e sua turma não são bobos.

Depois da tungada que levaram em 2018, debruçaram-se sobre o fenômeno da “nova direita” e estudaram a fundo seus expoentes – Olavão, Nando Moura, Mamãe Falei, os garotinhos e garotinhas do #VemPraRua.

Estudaram, e entenderam!

Entenderam que não vão conquistar todo mundo. Essa pretensão não existe mais. Não se faz mais discurso “para todos”, “por todos”, “pela sociedade”. Isso é coisa do passado.

O político “neutro”, que procura acenar um pouco para cada grupo, é em si uma relíquia. Coisa de museu.

O “Lulinha Paz e Amor”, que abraçava militantes do MST e apertava mãos de fazendeiros numa mesma tarde, não tem mais espaço.

Escritor, jornalista, videomaker e servidor público. Autor de "Política para Iniciantes" de outros livros. Às vezes, assusta as pessoas por falar o que pensa. É o profeta que uma geração alienada pelo TikTok precisava. Ainda será Presidente do Brasil (ou não).