Tento assistir a séries novas, mas não consigo.

Dois terços do que existe hoje na Netflix, na Amazon e na Globoplay (especialmente nesta última) são programas basicamente protagonizados por meninas ou mulheres (sempre geniais e fisicamente muito fortes), nos quais os homens são irrelevantes, patéticos ou são vilões representando algum aspecto da “masculinidade tóxica”.

O lado bom é que, na maior parte dos casos isso fica claro já no “card” que anuncia a série.

Então, não chego a me dar ao trabalho de abri-las.

Lixo.
Lixo teen.

Percebam que eu disse “em alguns casos”.

Em outros, o card não anuncia a “lacralidade” do conteúdo e eu chego a me arriscar.

Tentei ver uma série sobre agentes do FBI. Inicialmente, temos dois protagonistas, um homem e uma mulher. Rapidamente, porém, fica claro que estamos diante de uma produção “empoderadE”.

Todas as posições de comando são ocupadas por mulheres, a não ser que o comando, no caso, seja absolutamente incompetente – a incompetência, nesta série, é reservada apenas aos homens.

Se o vilão do episódio é uma mulher, ela tem uma justificativa ou está sendo forçada ao mal por um homem.

Do “casal” de protagonistas, a moça falará todas as falas importantes e será o centro da trama. O parceiro dela só terá algum destaque se for preciso derrubar uma porta ou socar a cara de alguém.

Pronto. Eis aí basicamente o roteiro de cada episódio dessa série.

Meio decepcionado, pensei então em ver uma atração mais no mundo da fantasia.

E assim, acabei assistindo a um seriado sobre um feiticeiro, que faz basicamente uma jornada por reinos com rainhas duronas e bem intencionadas, e alguns reis homens sempre malvados, fracos ou incompetentes.

O próprio protagonista é um mago, mas um mago mixuruca – quem tem poder, mesmo, são as bruxas mulheres.

O cara tenta ajudar uma princesa mas, no fim, é ela quem descobre ter poderes incríveis (um “plot twist” tão comum que já virou clichê, em uma Hollywood obcecada com “empoderamento”).

Se dois personagens entram em conflito, e um deles é membro de alguma “minoria”, não é preciso nem assistir ao episódio todo para adivinhar que o outro cara é o vilão. É tudo muito previsível e forçado.

Enfim. Um lixaredo.

Eu falo dessas duas séries apenas para dar exemplo.

Tive o mesmo tipo de desprazer em várias outras tentativas. Até que desisti.


Deveríamos protestar?

Acredito que, com o tempo, um número suficientemente grande de pessoas irá perceber esse “império da lacração” como algo ruim e vão surgir protestos contra essa onda.

Mas eu não vou gastar energia nisso, não.

Prefiro não assistir mais TV.

Pego um bom livro, vou estudar.

Os lacraldos da vida que se deleitem com esse lixo todo.


Meu dinheiro, minhas regras

O capitalismo tem pelo menos uma coisa inegavelmente boa: quando eu não achar mais nada que valha a pena ver num serviço de streaming, eu posso cancelar a assinatura.

E não faço isso como protesto, como boicote: faço porque percebo que não sou parte do público-alvo da empresa. Ela não se importa em me atender. Eu não sou um cliente desejado por ela.

É muito simples.

Eu já não compro em algumas lojas (como a Magalu) por essa razão.

E não, eu não acho que vou “quebrar” essas firmas ou que elas se importam com a minha saída da lista de fregueses. Eu não as “boicoto” para pressioná-las a nada. Desejo sucesso, mas me reservo o direito de fazer escolhas.


Um streaming para gente sensata

Acredito que haja mais gente percebendo (e detestando) o rumo das produções atuais. Eventualmente, vai ser um público grande o bastante e alguma empresa vai acabar lançando um serviço de streaming e com um conteúdo mais assistivel.

E se isso não acontecer, também tanto faz.

Jornalista, assessor de imprensa, colunista de uma penca de jornais ao longo dos anos. Servidor público federal. Youtuber. Ativista #Redpill e historiador "freestyle". Autor de "Política para Iniciantes" e de outros livros. Site: www.fabiosalvador.com.br

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