Quando me declarei um “Men’s Rights Activist”, ou “MRA” – em português, “ativista pelos direitos dos homens” – passei a ser alvo de uma enorme incompreensão. Por muito tempo, ouvi amigas debochando desta posição, me chamando sarcasticamente de “macho oprimido”.

Teve gente que deixou de falar comigo. Foi como se eu me declarasse nazista ou algo do tipo. Aliás, uma pesquisa rápida na internet demonstra justamente isso: em muitos círculos, falar de direitos dos homens é mais ou menos um atestado de fascismo.

A maioria das pessoas, no entanto, encarou a questão como mais uma esquisitice minha. Mulheres, e inclusive homens, até há pouco tempo não viam sentido em uma luta como a dos MRA.

Éramos um movimento insignificante, formado por sujeitos isolados aqui e ali.

Foi criado um estereótipo dos MRA como “incels” (virjões que não pegam mulher) frustrados, que moram com a mãe. O movimento era visto como uma estranhíssima piada, ou uma desculpa para a defesa de discursos machistas.


Saindo da toca

Hoje, finalmente, percebo que nosso movimento já não ocupa apenas as margens obscuras da internet. Ele vai ganhando adeptos que sentem-se a vontade para defender nossas pautas abertamente, comentar em reportagens e vídeos pela web. Há até perfis no Instagram totalmente dedicados a discutir os assuntos que queremos trazer ao debate público.

O Youtube tem alguns MRA proeminentes com montes de seguidores.

Recentemente, saiu um documentário sobre o MRM (Men’s Rights Movement) nos EUA, apresentado por uma proeminente feminista. Ela, que esperava encontrar apenas monstros e degenerados no movimento e fazer um filme demonizando-os, acabou se convertendo em defensora da nossa causa.

Parece que nossa hora está chegando.

Então, é bom que eu explique algumas coisas ao público leigo.


Nem machismo, nem anti-feminismo

Há uma enorme confusão, inclusive entre homens que se dizem MRA, sobre do que, afinal, constituem nossas bandeiras de luta.

No meio do movimento, temos um grande número de conservadores saudosistas do século passado (ou de épocas ainda anteriores), que a libertação e empoderamento das mulheres por todos os males do mundo. É um pessoal que quer a volta da “família tradicional brasileira”, aquela que casava virgem e vivia na cozinha, agradando ao marido.

Temos também o bando dos anti-feministas, que confundem o debate sobre direitos dos homens com um debate a respeito de aspectos do feminismo.

O movimento pelos direitos dos homens não é a pregação de uma volta ao passado – nós homens precisamos reconhecer que a sociedade de antigamente era opressiva em relação às mulheres e não é um exemplo saudável.

Ele também não é um debate sobre o feminismo. Ora, feminismo, como o próprio nome diz, é uma luta contra as desigualdades que prejudicam as mulheres. É um assunto de mulher, no qual elas são as protagonistas, não nós.


Mas então, o que é?

A luta pelos direitos dos homens é a luta contra as desigualdades que prejudicam aos homens.

Não é papel das mulheres incluir essas pautas na luta feminista. É nosso papel, como homens, empunhar nossas próprias bandeiras.

Vamos discutir a nossa luta.

Aqui, nós somos protagonistas. E assim como as mulheres não querem homens dando pitacos sobre feminismo, nós também não podemos aceitar mulheres querendo julgar nossas pautas.


Por que o movimento é necessário

Nos últimos 150 anos, o papel da mulher na sociedade e na família mudou muito. De donas de casa submissas aos maridos, as mulheres passaram a ter direitos, espaço e voz. E isso é ótimo. Não queremos a reversão disso.

O problema é que, neste processo, não houve uma rediscussão dos papéis e dos deveres dos homens – das expectativas que a sociedade tem em relação a nós.

Os homens perderam alguns privilégios, mas não foram livrados do peso inerentes a eles.

Resumidamente, se pensarmos no mundo como um navio, hoje as mulheres ganharam o direito de ser parte da tripulação e de serem até capitãs – mas em caso de naufrágio, ainda vale o “mulheres e crianças primeiro”.

O discurso da igualdade acaba adaptando-se ao que convém.

Há, ainda, uma licenciosidade muito grande em relação a discursos anti-masculinos – discursos de ódio aos homens – que passam como se fossem empoderamento feminino.

Vivemos em uma sociedade na qual a misoginia é reconhecida, debatida e combatida. Mas a misândria, não.


Hipocrisias e discurso de ódio

Uma mulher tem o direito e o espaço para construir sua carreira. E pode ser que ela ganhe mais do que o marido. Até aí, tudo bem. Mas se o casal passa por dificuldades financeiras, a carga de vergonha imposta pela sociedade ainda recai sobre o homem. Dele, ainda espera-se que seja o provedor.

Hoje, os meninos estão ficando para trás nas médias de desempenho educacional. E isso não é consequência de uma natural superioridade intelectual das mulheres (como, aliás, pregam abertamente algumas figurinhas por aí sem que haja protestos). É resultado de todo um sistema social e educacional que incentiva as meninas enquanto castra intelectualmente os garotos. E que os trata de forma preconceituosa.

Foram conduzidos estudos nos EUA a respeito disso: professores dão notas maiores para o MESMO trabalho quando sabem que foram feitos por meninas. É que nossa sociedade internalizou um discurso de empoderamento feminino enquanto, no fundo, ainda considera as mulheres o “sexo frágil”, ao qual é dispensada uma certa generosidade, uma certa leniência.

Então, agora, as meninas podem tudo, não são mais objetos de decoração – mas ainda são protegidas e paparicadas como bibelôs.

São consideradas seres inteligentes e têm autonomia para discutir seu papel em uma relação, mas raramente assumem erros e quase nunca são responsabilizadas por comportamentos tóxicos.

Uma mulher dando um tapa em um homem é coisa comum, na realidade e também em filmes e novelas. O contrário causa escândalo. Por que? Ora, uma mulher violenta é apenas “surtada” – um homem é um agressor.

Dizer que “homem não presta”, ok. Dizer o mesmo das mulheres? oooh, não!

Uma mulher dizer “prefiro ficar sozinha do que estar em uma relação tóxica” é perfeitamente aceitável. Já um homem declarando-se MGTOW ou algo do tipo, não.

Dois pesos, duas medidas.

Oito em cada dez moradores de rua são homens. Mas o que comove a sociedade é a parcela feminina.

Três quartos dos suicidas no Brasil são homens. E aparentemente, tudo bem. Não se discute isso.

Uma empresa de crédito lança-se oferecendo taxas especiais só para mulheres. Ninguém vê nenhuma anormalidade nisso. Assim como também não há indignação quando uma empresa seleciona unicamente mulheres para seus quadros. O contrário seria inaceitável.

Em nome da igualdade, certas desigualdades são toleradas e aplaudidas. Todos os seres humanos são iguais, mas alguns simplesmente não importam tanto. Os homens que se danem.


Justiça e Legislação

A Justiça beneficia as mulheres em casos de divórcio, guarda dos filhos, brigas de casal (até prova em contrário, o homem é considerado agressor, sempre).

Até mesmo quando homens e mulheres cometem crimes iguais, eles costumam ser condenados com muito mais frequência do que elas, e recebem penas mais extensas.

No Brasil, mais de 95% dos presos são homens. E no entanto, a mídia demonstra preocupação apenas com o bem estar das presas mulheres.

Empresas grandes são obrigadas a ter cotas mínimas de mulheres em seus quadros funcionais. Não há leis semelhantes obrigando ninguém a empregar homens.

A lei exige mais idade e mais tempo de contribuição para os homens se aposentarem. E isso, apesar de vivermos em média menos que as mulheres.

Em concursos públicos com teste físico, os homens são submetidos a testes mais difíceis do que aqueles aplicados às mulheres apesar de o cargo pretendido ser o mesmo para ambos, e com o mesmo salário.

Agora mesmo, durante a pandemia da Covid-19, foi criada uma categoria especial de beneficiados com o Auxílio Emergencial: mães solteiras recebem um valor maior do que o padrão. Isso até tem fundamento, afinal, são pessoas sozinhas com uma ou mais crianças para cuidar. O problema é que o benefício especial não estende-se aos PAIS solteiros. Só às mães. A situação de ambos é igual mas a mulher, por alguma razão, é tratada de forma privilegiada.

A lista de disparidades é gigantesca e há perfis em redes sociais dedicados a apontá-las à exaustão. Então, nem vou me alongar.


O discurso oficial da mídia

A maioria dos filmes e séries nos quais os protagonistas são homens têm personagens femininas fortes, capazes, mesmo que secundárias. Nos filmes e séries produzidos com protagonistas mulheres, é comum notarmos que os personagens masculinos são sempre imbecis, fracos ou desprezíveis. E tudo bem. Isso não é visto como problema – o contrário seria.

Nos filmes e novelas, uma mulher dando um tapa, um soco, um chute ou até uma surra em um homem é coisa aceitável, comum ou até cômica. O contrário seria inaceitável.

A Rede Globo passou o mês de Março de 2021 basicamente exaltando as mulheres. Em alguns programas, inclusive, diminuindo os homens. E não parece estar sofrendo pressão para retratar-se.

O recente Caso Henry Borel, do menino (até onde se sabe) assassinado no Rio de Janeiro, é emblemático: se o garoto tivesse morrido na casa do pai, ele a esta hora já teria sido linchado. Mas ele morreu na casa da mãe. E ela, como mulher, é considerada inocente até que sua culpa seja provada.

Enfim. Há algo de podre no reino da mídia, da Justiça e da sociedade em geral. Chega de ficarmos quietos.


Sinais de mudança no ar

Eu já me alonguei no texto, então vou concluir com uma nota positiva.

Há alguns anos, falar em Direitos dos Homens era uma excentricidade, coisa de meia dúzia de gordos suados com comportamento antissocial. Atualmente, a cada dia, o movimento parece maior, mesmo não sendo um movimento organizado.

A própria RationalWiki, uma enciclopédia eletrônica escrita por progressistas que até há pouco tempo atrás classificavam os MRA como “grupo de ódio” e descreviam o movimento como uma imbecilidade, hoje faz uma análise mais imparcial e destaca pontos da nossa pauta que são inegáveis.

Por outro lado, tivemos uma onda de falências e desaparecimentos de sites que antes congregavam parte do público MRA, e que eram muito nocivos à causa. O mais famoso deles era o famigerado Return of Kings, que não passava de um amontoado de misoginia e resmungos antifeministas.

É visível que aquela militância ultra-feminista, que fazia um discurso violento e defendia-o como “reação do oprimido” já não passa impune. Karol Conká que o diga.

Os filmes já começaram a mudar: o mais recente “Liga da Justiça”, por exemplo, tem a Mulher Maravilha no elenco principal, mas já não é um filme como “Capitã Marvel” ou “Mad Max: Estrada da Fúria”. Nele, vemos um certo equilíbrio entre heróis e heroínas.

De forma geral, a sociedade em geral vai, aos poucos, enxergando cada vez mais nitidamente as linhas divisórias entre o feminismo saudável e a misandria odiosa, e entre o machismo e a defesa da igualdade por parte dos homens.


Finalizando

Não é preciso ser violento para reagir a tudo isso. Não discuta com feministas radicais. Não saia debatendo o assunto com pessoas que não te compreenderão.

Basta que nos retiremos de onde não somos tratados como iguais. Que não assistamos a filmes e a emissoras que nos diminuem. Que evitemos relacionamentos nos quais vamos ser feitos de reféns ou de bobos.

“Ah, mas ser um MRA ainda é muito malvisto…” – e daí?

Somente um homem que deixa de se preocupar com a opinião de uma sociedade cada vez mais misândrica pode muito bem dizer um “dane-se” para todo esse aparato antimasculino.

Vocês não querem ser livres?

Não é preciso ser um militante furioso. A semente da mudança é plantada a cada dia.

Ensina teu filho, desde cedo, a não aceitar tratamento desigual. A não ficar calado diante de uma sociedade que o trata como um bruto e um imbecil.

Diga a ele para não ficar correndo atrás e se curvando às meninas – ele deve ter a si mesmo em alta estima, e selecionar muito bem aquelas a quem dará alguma chance.

Nós construímos boa parte deste mundo. Lutamos e morremos em inúmeras guerras. Lideramos revoluções e criamos maravilhas científicas por séculos. Não somos os idiotas inúteis que a mídia e a sociedade tentam nos fazer crer que somos.

Chegou a nossa hora.

Homens de todo o mundo, uni-vos.

Jornalista, assessor de imprensa, colunista de uma penca de jornais ao longo dos anos. Servidor público federal. Youtuber. Ativista #Redpill e historiador "freestyle". Autor de "Política para Iniciantes" e de outros livros. Site: www.fabiosalvador.com.br

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