Eu já sofri muito por futebol. Chegava a chorar quando o Grêmio perdia. Antes de um jogo decisivo eu perdia o sono. Durante o dia não pensava em outra coisa a não ser no jogo. Depois que fui expulso pelos meus amigos gremistas de Viamão, por ser pé frio, minha vida mudou. Hoje nem sei mais quando o Grêmio joga e nem o nome dos jogadores. Mas quero contar um pouco do meu sofrimento quando era tricolor.

Que castigo maior pode ter um torcedor de não poder ver seu time jogar que a derrota era certa. Quando ouvia o jogo pelo rádio não era diferente. Eu calculava o tempo do início do jogo e só ligava o rádio depois dos 40 minutos e se o Grêmio estivesse ganhando eu desligava rapidamente o rádio para não dar tempo do adversário empatar. O segundo tempo era só sofrência.

Só esperava o jogo começar e desligava o rádio, só ligando aos 44 minutos.

A prorrogação parecia uma eternidade, aqueles minutos finais muitas vezes foram traiçoeiros.

O Grêmio é o time que mais leva gol nos descontos. Enfim, esta é minha triste história de torcedor. Outro dia conto sobre um jogo que fui assistir no Olímpico em que o grêmio ganhou de 5 x 2 do Flamengo e não vi nenhum gol, pois sempre que o Grêmio fazia um gol eu tinha ido no bar pegar cerveja (naquele tempo podia beber no estádio).


A MALDIÇÃO

Contei a minha triste história de torcedor do Grêmio. Agora vou contar algo pior. Toda vez que eu assistia jogo do coirmão, ele ganhava. Meus amigos colorados me chamavam para ver o jogo com eles. Era só alegria (para eles).

Dito isso, quero fazer uma proposta aos colorados viamonenses. Como gaúcho bairrista que sou, quero que o título fique no RS, até porque não gosto do Flamengo.

Para isso, tenho algumas exigências para ir a Viamão assistir ao jogo do Inter x Flamengo e garantir o título de campeão brasileiro.

Exijo um Uber de Gaurama até Erechim e depois um avião até POA. Aí alguém me pega no Salgado Filho e me leva até Viamão.

O local para assistir ao jogo tem que ser no tradicional Bar do Guará. Meia dúzia de Heineken sem álcool e o churrasco para comemorar o título tem que ser na casa do meu amigo Chico Ferretti (a picanha tem que ser a mesma dos milicos do Jair). A sobremesa tem que ser pudim de leite condensado (a mesma marca dos milicos do Jair).

Se quiserem me oferecer um jantar mais chique, aceito lombo de bacalhau norueguês (o mesmo dos milicos do Jair). Já sei até o placar mas só conto se me contratarem.

Só tem uma coisa que pode atrapalhar o plano dos colorados, e aí eu não posso fazer nada: O Jair, o Mourão e o “ministro pesadelo” são flamenguistas doentes.


SÓ O SARGENTO É GAY?

Essa história do sargento carioca que “ABANA PRO CARAMUJO”, que foi notícia esta semana na imprensa nacional precisa ser melhor abordada. Ficou parecendo que apenas este sargento é gay num universo de milhares de soldados espalhados pelos quarteis de todo o Brasil.

Vão me dizer que não tem tenente que “ARRANHA OS AZULEJOS”, major que “GUARDA A ESPADA”, capitão que “DÁ RÉ”, coronel “FANTA UVA”, general “TROCA TROCA”. O próprio Jair, vão me dizer que nos anos em que foi milico só “PRATICAVA O ATO SOLITÁRIO DE AUTO ACARICIAMENTO”? não fazia MEIA?

Freud explica: “É REALIZAÇÃO DISFARÇADA DE UM DESEJO RECALCADO”.


O GADO DO LULA E O GADO DO JAIR

Assim como o Jair, o Lula também tem seu gado. Embora todo desgaste promovido pela direita contra a esquerda, e principalmente contra o Partido dos Trabalhadores, o Lula ainda tem seu gado fiel. Imagino que em torno de 30%. São eleitores fieis como torcedor de futebol. Nenhum gremista ou colorado abandona seu time porque não foi campeão.

Já o Jair também tem seu gado, que está também nos 30% dos eleitores. Ele pode fazer merda como está fazendo que o seu gado vai acompanhá-lo incondicionalmente.

A diferença entre os gados é que os bovinos do Jair são de péssima qualidade. É a classe média recalcada que sonha em ser rica, são os latifundiários, os banqueiros, os grandes empresários mas principalmente estes ignorantes das igrejas evangélicas.

Já o gado do Lula é mais refinado. São eleitores sensíveis às injustiças, defendem as minorias, combatem o racismo, não são homofóbicos. São humanistas, são intelectuais que constroem o que há de melhor no mundo da cultura e buscam sempre uma utopia.

Os 40% que sobram são os ÁGUA PÉS, vão para onde o vento levar.

Hélio Ortiz é professor, produtor cultural, e foi Secretário Municipal da Cultura e Esporte de Viamão durante os governos do PT.